TRIBO ISOLADA EM ILHA NO OCEANO ÍNDICO É CONTAMINADA POR COVID-19

Segundo o Survival International, organização de movimento global pelos direitos dos povos indígenas, ao menos 11 integrantes da tribo que habita a ilha de Grande Andamão estão contaminados pelo novo coronavírus. O fato surge como um preocupante indicativo para os grupos locais, que atualmente sofrem com tuberculose, altas taxas de consumo de álcool e já possuem histórico de baixa ou nenhuma imunidade a doenças contagiosas.

“Nossas fontes nas ilhas confirmaram que 11 integrantes da tribo grande-andamanesa testaram positivo para covid-19 em uma população de pouco mais de 50. Três se recuperaram e 8 ainda estão no hospital”, disse Sophie Grig, pesquisadora da Survival, em comunicado enviado à IFLScience na última sexta-feira (28). “É uma notícia devastadora”.

Ocupantes das Ilhas Andamão, um conjunto de quase 600 ilhas localizadas entre os territórios de Mianmar e Índia, os grande-andamaneses já chegaram a constituir cerca de 10 tribos distintas ao chegarem nas ilhas durante o século XIX. Infelizmente, sua vinda foi responsável por trazer diversas doenças do continente, reduzindo uma população de quase 5 mil pessoas para apenas 50 em pouco mais de 100 anos.

(Fonte: Wikipedia/Reprodução)

“Os grande-andamaneses já foram dizimados por doenças para as quais não tinham imunidade, introduzidas pelos colonizadores britânicos em 1850”, acrescentou Grig. “Como muitas tribos, eles sofreram perdas catastróficas no primeiro contato com estranhos — de uma população de 5 mil membros de 10 tribos diferentes na década de 1850 para apenas 19 indivíduos, pouco mais de um século depois. É vital que todos os esforços sejam feitos para impedir que o vírus se espalhe para outros grande-andamaneses e para proteger os territórios das outras tribos nas Ilhas Andamão, impedindo que também sejam infectadas”.

O risco da transmissão desenfreada

Com mais de 3 mil casos confirmados, resultando em cerca de 40 mortes, o coronavírus das Ilhas Andamão surge como uma enorme preocupação para as instituições ativistas e os habitantes locais, que atualmente sofrem com o risco de ver um contágio desenfreado.

Diversos grupos remotos mantêm contato entre si no arquipélago, seja para a realização de atividades conjuntas ou do revezamento territorial para a caça e pesca. Dessa forma, as chances da covid-19 chegar a outras tribos, como os sentineleses, isolados do resto do planeta desde 1990, estão se concretizando gradativamente.