Oposição turca diz que mandato de Erdogan tem que ser revogado

Eleição em Istambul foi cancelada; partido afirma que vitória de Erdogan no ano passado infringiu as mesmas regras.

O maior partido de oposição da Turquia pediu formalmente a revogação do mandato do presidente Recep Tayyip Erdogan porque as mesmas falhas que o partido governista AKP alegou terem ocorrido na eleição municipal de Istambul em março também aconteceram nas eleições nacionais do ano passado.

O Partido Republicano do Povo (CHP), de oposição, havia vencido a disputa pela prefeitura de Istambul por uma margem estreita, em março. Foi a primeira derrota do grupo de Erdogan em 25 anos na cidade, que é a maior do país e tem o maior orçamento –cerca de US$ 4 bilhões (R$ 15,7 bilhões).

O AKP, do presidente Erdogan, não reconheceu a derrota e protocolou pedidos para refazer o pleito na Alta Comissão Eleitoral da Turquia. Esse órgão decidiu, na segunda (6) convocar novas eleições.

Foram citadas irregularidades na indicação de autoridades para as zonas eleitorais –o AKP alegou que indivíduos que não são servidores públicos trabalharam nas eleições como fiscais, o que equivaleria a crime organizado.

A autoridade eleitoral não mudou os resultados de administradores de distritos, conselhos municipais e autoridades locais. O partido de Erdogan conquistou a maioria desses postos.

O CHP (o partido de oposição) disse ainda que os votos para essas esferas de poder foram entregues nos mesmos envelopes da eleição municipal e contatos pelos mesmos fiscais eleitorais – portanto também deveriam ser cancelados.

As mesmas leis das eleições presidenciais

“Se vocês estão revogando o mandato de Ekrem Imamoglu, então também têm que anular o mandato do presidente Erdogan porque as mesmas leis, os mesmos regulamentos, as mesmas inscrições, as mesmas zonas eleitorais e condições estiveram presentes em ambas as eleições”, disse o vice-presidente do CHP, Muharrem Erkek, a repórteres.

Na terça-feira, Erdogan disse que as eleições foram maculadas pela “irregularidade organizada” e acrescentou que a decisão foi um passo importante para fortalecer a democracia.

A autoridade eleitoral ainda não publicou sua decisão detalhada com um argumento, o que tem obrigação legal de fazer.