Mortalidade por coronavírus na periferia de SP é três vezes maior que nos bairros ricos

Os primeiros resultados divulgados nesta terça-feira (23) de um inquérito sorológico realizado pela Prefeitura de São Paulo sobre o coronavírus indicou que 9,5% de toda a população, ou 1,16 milhão de pessoas, foram expostas à doença e que moradores de regiões periféricas estão três vezes mais vulneráveis ao contágio do que habitentes de bairros nobres. A informação é do jornal Estado de S.Paulo.

O levantamento é uma pesquisa feita com 5.446 indivíduos, que foram testados pela Prefeitura após terem sido escolhidos por sorteio, de forma a contemplar todas as regiões na cidade.

Segundo a reportagem, divididas por região, essa taxa de infecção varia. Na zona leste, a doença já chegou a 12,5% dos moradores. Na zona sul, a 7,5% da população.

Há oito bairros onde a taxa é acima de 120 mortes para cada 100 mil habitantes: Iguatemi, Guaianases, Lajeado e Jardim Helena (os bairros da fronteira leste da cidade), Brasilândia e Cachoeirinha, da zona norte, e a Sé, no centro. Fechando a lista, há o Brás, também da região central, que é o líder de casos. Ali, a taxa de mortes para cada 100 mil habitantes é superior a 140 casos.

Por outro lado, há cinco bairros da cidade em que essa taxa é de até 40 mortes para cada 100 mil habitantes, todos regiões onde o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é muito elevado: Perdizes e Pinheiros, na zona oeste, Moema e Jardim Paulista, na zona sul, e Bela Vista, no centro.No caso da raça, “na população de pessoas com 60 anos ou mais as desigualdades são bem evidentes. Pretos (risco de óbito 57% maior) e pardos (risco de óbito 37% maior) apresentam maior mortalidade por COVID-19 do que os brancos”, diz o documento.

Nos próximos 15 dias, outras 5.446 pessoas serão testadas em uma nova etapa do inquérito, para avaliar a evolução da doença. O exame feito foi o imunocronomatográfico.