Marchas pró-aborto mobilizam milhares de mulheres na Argentina

Movimento identificado pelo uso de lenços verdes se espalhou pelo país na quarta-feira (19); o maior dos protestos aconteceu em frente ao Congresso argentino

Milhares de mulheres voltaram às ruas da Argentina na quarta-feira (19) para pedir que o aborto seja legalizado no país. O presidente argentino, Alberto Fernández, deve apresentar em 1º de março um projeto de lei sobre o tema para o Congresso Nacional.

É a nona vez que uma proposta de legalização do aborto é apreciada pelo Parlamento argentino em uma discussão que se arrasta por 13 anos. A última, que autorizava o aborto voluntário até a 14ª semana de gestação, obteve – em meados de 2018 – o apoio da Câmara dos Deputados com 129 votos a favor e 125 contra.

Entretanto, com um Senado mais conservador, os legisladores rejeitaram a proposta em meio a pressões de setores da Igreja católica e de grupos evangélicos.

‘Pañuelazos’

Identificadas pelo uso de lenços (pañuelos, em espanhol) verdes, as mulheres da Campanha Nacional pelo Direito do Aborto Legal marcharam nesta quarta em ao menos 20 cidades argentinas. A maior movimentação aconteceu em frente ao Congresso Nacional, na capital Buenos Aires.

“A gente vem se mobilizando desde 2018”, disse uma jovem manifestante à agência argentina Telam. “Temos muitas expectativas porque as pessoas estão mais bem informadas e inclusive um governo mais favorável à proposta.”

Alberto Fernandez, declarou-se a favor da descriminalização do aborto durante a campanha para a presidência no ano passado. O governo, que conseguiu maioria na Câmara Alta, renovou as esperanças de movimentos e de seus aliados para conseguir a legalização do aborto.

“Uma gravidez não desejada é sinônimo de tortura”, disse à agência France-Presse, Antonella D’Alessio, uma das manifestantes. “Viemos aqui lutar para que esta lei saia este ano, para que não haja mais pessoas que não podem decidir sobre seu projeto de vida, sobre seu corpo.”

Na Argentina, o aborto é punido com penas de entre um e quatro anos de prisão, exceto em casos de estupro ou de risco para a vida da mulher.

Segundo organizações feministas, são realizados cerca de 400.000 abortos clandestinos por ano no país, e eles são a principal causa de morte materna.