Estrela é observada “arrastando” tecido espaço-tempo

Astrofísicos do Instituto Max Panck anunciaram ter observado pela primeira vez um objeto estelar “arrastando” o tecido espaço-tempo ao seu redor. O astro em questão consiste em um pulsar – ou seja, o remanescente de uma estrela massiva que passou pelo processo de supernova – situado em uma galáxia a 10 mil anos-luz de distância de nós que deforma e “puxa” o espaço-tempo atrás de si conforme orbita ao redor de uma anã branca também “defunta”, provando (mais uma vez) que Einstein estava certo em suas previsões sobre o comportamento do Universo.

Dança entre zumbis

Os pulsares são estrelas de nêutrons superenergéticas e extraordinariamente densas que giram sobre os próprios eixos incrivelmente depressa e emitem energia eletromagnética por seus polos, como se fossem poderosos faróis estelares. No caso do pulsar observado pelos cientistas do instituto, ele mede cerca de 20 quilômetros de diâmetro, concentra o equivalente a 100 bilhões de vezes a massa da Terra nesse pequeno espaço e emite pulsos de energia cerca de 150 vezes por minuto – então, imagine com qual velocidade o astro gira sobre o próprio eixo!

(Fonte: New Atlas / OzGrav ARC Centre of Excellence / Mark Myers / Reprodução)

Já a anã branca – que também consiste no remanescente de uma estrela massiva que entrou em colapso – tem dimensões semelhantes às do nosso planeta, é 300 mil vezes mais densa do que a Terra e, como o pulsar que a acompanha, gira bastante depressa sobre seu eixo. As estrelas formam um sistema binário identificado pela sigla PSR J1141-6545 e, segundo indicaram as observações, o pulsar completa uma órbita ao redor da anã branca a cada 5 horas, mais ou menos.

Nem precisamos dizer que esse fascinante par estelar congrega uma gigantesca massa e, consequentemente, força gravitacional, certo? E, de acordo com o previsto pela Teoria da Relatividade Geral de Einstein, um sistema como esse deveria afetar e deformar o tecido espaço-tempo, “arrastando-o” enquanto uma estrela orbita ao redor da outra.

Esse efeito, embora tenha sido previsto há mais de 100 anos, jamais havia sido observado – e, portanto, confirmado formalmente. Mas, agora, os astrofísicos dizem ter encontrado evidências de que, conforme o pulsar viaja ao redor da anã branca, o espaço-tempo é afetado tal qual Einstein previu que aconteceria, e a interação entre os 2 astros lembra o que acontece quando giramos um garfo em um prato de espaguete. Veja na animação a seguir:

Além de comprovar que Einstein estava certo – novamente! –, os cientistas acreditam que observar sistemas como esses pode ajudá-los a compreender melhor como estrelas como essas se formam e se comportam no cosmos. E, no caso específico do par estudado agora, o pulsar é bem mais jovem do que a anã branca, o que é bastante incomum, e os astrofísicos pretendem descobrir como é que a dupla se encontrou.