Em entrevista exclusiva, Flávio José fala de suas influências, mercado e se queixa dos “poucos efeitos” da Transposição

O SÍMBOLO DO FORRÓ AUTÊNTICO AUTO-AVALIA SUA PERFORMANCE E ANALISA MERCADO COM INCERTEZA

Flávio José fala das influências que recebeu, comenta a dura realidade do mercado para novos artistas e se queixa do formato pós Transposição.

O cantor e compositor Flávio José concedeu entrevista exclusiva à Revista NORDESTE (CLIQUE AQUI para visualizar) e se mantém vinculado a um estilo de música nordestina à base do xote, baião e o forró autêntico com identidade reconhecida em todo Nordeste. Ele é uma das atrações mais procuradas pela Bahia e não para de tocar nos demais estados. Em que pese sua performance, analisa o mercado de música com preocupação, sobretudo para as novas gerações e avalia vários aspectos do segmento ao qual pertence. Ele ainda se diz decepcionado com poucos efeitos da Transposição do Rio São Francisco.

A entrevista a seguir:

Revista NORDESTE – Como é sobreviver com identidade singular no cancioneiro nordestino recheado de lixo musical ao redor ?

Flávio José – Olha, embora mereça muitas interpretações, mas ficamos numa definição simples: não é fácil,mas a gente tenta.


NORDESTE –
 O que na sua opinião lhe distingue sua música nordestina: seu vibrato, os acordes da sanfona, as canções de significado poético profundo ou tudo junto?

Flávio José – Eu acho que minha performance tem a ver com algumas coisas, dentre elas, primeiramente a escolha certa do repertório, depois a aceitação da minha voz e a minha maneira simples de  criar  a maioria dos arranjos e tocar o Acordeon.

NORDESTE – Embora nascido em Monteiro, vc é dos artistas mais procurados pela Bahia, não tão perto da Paraíba. Qual a causa dessa preferência?

Flávio José – Eu acredito que a minha aceitação na Bahia é tão boa quanto nos demais estados. Acontece que na Bahia existe um número muito maior de cidades que fazem festas no São João e que os contratantes valorizam muito mais a nossa música, não só no São João como também o ano todo.

NORDESTE – Ao que parece, o famoso Jabá na música saiu das gravadoras e é comandado pelos donos de rádio. Como os artistas sobrevivem diante dessa ditadura?

Flávio José – Realmente, tocar em rádio está muito difícil. Hoje os artistas, apesar de poucos terem gravado novas músicas, têm tido a internet como grande ferramenta para divulgarem seus trabalhos e suas imagens.

NORDESTE – como cidadão reconhecido, qual sua análise da vida real nos Estados nordestinos, onde avançamos e onde precisamos melhorar?

Flávio José – Em se tratando de cultura, eu acho que os Estados deveriam olhar com mais carinho pra nossa cultura de um modo geral.

NORDESTE – Quem mais lhe inspirou na vida: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro ou Pinto de Monteiro?

Flávio José – A minha inspiração quando criança foi em torno de Luiz Gonzaga. Como adulto Trio Nordestino e Dominguinhos foram quem me inspiraram.

NORDESTE – Qual o futuro da música e dos artistas que resistem produzindo música autêntica nordestina, isto diante do modismo circunstancial que até deforma?

Flávio José – Com essa invasão de modismos e a falta de apoio à nossa cultura, a nós artistas e principalmente aos novos artistas que estão tentando oportunidades para mostrarem seus talentos, eu diria que o futuro é incerto.

NORDESTE – O que esperar de sua arte em 2020?

Flávio José – Eu espero que 2020 chegue nos trazendo paz, esperança, saúde e muita prosperidade para todos nós.

NORDESTE – Qual sua leitura sobre a transposição do São Francisco e a realidade do projeto para quem precisa da água hoje?

Flávio José – Quanto à Transposição do Velho Chico, eu achava que  ao chegar,  a nossa região iria se tornar numa região rica, onde as pessoas que veem as águas passarem em suas propriedades, tivessem  o direito de usar  essa água no consumo próprio e dos animais, mas principalmente para plantios de milho feijão frutas verduras, etc etc etc. Mas nada disso temos visto. Muito decepcionante pra mim.