Áudio de Livânia mostra como “móveis da Florence” viraram senha para propina

Em delação, Livânia apresenta conversas que teria tido com mulher de conselheiro para tratar de pagamentos a auditores

Livânia Farias fez delação premiada e revelou fatos relacionados à operação Calvário. Foto: Reprodução/Youtube

Os códigos para representar supostos pagamentos de propinas a agentes públicos, na Paraíba, são muito criativos. Não faz muito, o blog trouxe que “mangas trazidas de Sousa” eram, na verdade, dinheiro de propina. As revelações foram da ex-secretária de Administração do Estado, Livânia Farias, delatora na operação Calvário. A novidade é que no glossário das relações nada republicadas do Estado com as Organizações Sociais, “móveis da Florence (SIC)” quer dizer pagamento de R$ 50 mil em propinas.

O conteúdo é fruto de conversas supostamente tidas por Livânia com Georgina Maria Pinheiro Cruz. Está última foi exonerada neste mês do cargo em comissão de assistente técnica da Secretaria de Planejamento. Ela é mulher do atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e integrava os quadros do Estado desde o primeiro ano da gestão de Ricardo Coutinho (PSB), a partir de 2011. Os R$ 50 mil, assegura Livânia, seriam para pagar a auditores do Tribunal para “aliviar” nas contas do governador.

Reprodução/Termo de Colaboração/Livânia Farias

Livânia Farias contou aos promotores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) que em 2015 teria sido procurada por Georgina com um recado mandado por auditores do TCE. Na conversa, ela dizia que os responsáveis pela fiscalização das contas do Estado eram “terríveis” e cobravam R$ 50 mil “senão ia dar tudo errado na conta do governador”. Nas mensagens trocadas com Livânia, ela se referia ao dinheiro sempre como “móveis da Florence” (SIC).

Livânia foi presa no ano passado e passou à condição de liberdade depois de fazer acordo de colaboração premiada. Considerada um dos pilares das gestões socialistas, a ex-secretária deu detalhes sobre supostos pagamentos de propinas feitos por organizações sociais e empresas a agentes públicos da Paraíba. Os repasses teriam chegado à casa dos 134,2 milhões em oito anos.

Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa Tribunal de Contas do divulgou nota do presidente do órgão, Arnóbio Viana, na qual manifesta confiança na lisura e excelência dos trabalhos executados pelos dirigentes do tribunal, bem como pelo grupo de auditores. Confira abaixo a nota na íntegra:

Nota:

O Presidente do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, Conselheiro Arnóbio Alves Viana, em razão da mais recente divulgação de fatos decorrentes da denominada “Operação CALVÁRIO”, vem reiterar total e irrestrito apoio às investigações em curso, pugnando pela celeridade e efetiva punição a todos quantos tenham praticado delitos em desfavor da sociedade paraibana, doa a quem doer.

Ao mesmo tempo, renova a confiança na isenção, lisura e excelência dos trabalhos executados pelo diligente corpo de Auditores do TCE-PB.