AFINAL, AEROSSÓIS TRANSMITEM OU NÃO A COVID-19?

Já faz tempo que não se fala de outra coisa que não seja a pandemia – e problemas relacionados ou decorrentes dela. Pois, em se tratando de um novo vírus que cientistas de todo o planeta estão tentando compreender para poder combater, é claro que quase diariamente ficamos sabendo de novidades sobre o Sars-Cov-2, como ele age e como afeta os humanos.

Nesse sentido, há meses estamos acompanhando o debate de quais mecanismos o novo coronavírus utiliza para se espalhar – e um dos meios que volta e meia entra em discussão é a dispersão por aerossóis. O termo não se refere a “perdigotos”, mas a gotículas microscópicas, com diâmetros equivalentes a 1 décimo de fio de cabelo, que podem permanecer em suspensão durante horas e transportar patógenos a dezenas de metros de distância, dependendo das circunstâncias às que são expostas.

Evidências

Sabe-se que o novo coronavírus pode “pegar carona” na saliva e outras secreções expelidas quando tossimos ou espirramos – “pousando” e contaminando superfícies e corpos – daí a orientação de que devemos higienizar as mãos com frequência, fazer uso de máscara, evitar aglomerações ou circular em locais públicos e manter o distanciamento social.

Não estamos falando de perdigotos!

Entretanto, com relação aos aerossóis, apesar de esse modo de transmissão ainda estar em estudo, existem fortes evidências de que o Sars-CoV-19 poderia, sim, contaminar pessoas através de microgotículas em suspensão. Segundo Jim Daley, do Smithsonianmag.com, o tempo que o vírus pode permanecer disperso em um ambiente e o quanto ele pode se deslocar depende do tamanho da gotícula na qual ele está inserido – e pesquisas conduzidas desde o início da pandemia (você pode encontrar os links nas referências ao final da matéria) demonstraram que o coronavírus é capaz de se manter viável em aerossóis por períodos que variam de 1 a 16 horas.

Ademais, diferentes estudos revelaram que o Sars-CoV-19, além de permanecer em suspensão no ar, poderia ser exalado pelo hálito de indivíduos contaminadas – e, portanto, teria potencial para infectar pessoas por esse meio. Além disso, existem registros que sugerem a transmissão do vírus em situações de aglomeração em locais fechados e com ventilação inadequada.

E aí?

Os estudos também envolveram examinar o nível de proteção oferecido pelos diferentes tipos de máscara, determinando que elas servem de barreira em maior ou menor grau, segundo o material e a forma como são produzidas. As pesquisas apontaram ainda que o distanciamento social é eficaz, sim, para prevenir a contaminação, uma vez que a “nuvem” de aerossóis (e possivelmente vírus) é maior próximo a pessoas infectadas, obviamente. Mas, e depois que o auge da pandemia passar e as medidas de proteção forem definitivamente afrouxadas?

Evidências robustas

É importante destacar que, embora tenhamos pressa em determinar como evitar a transmissão e combater o Sars-CoV-19 de uma vez por todas, estamos falando de um processo complexo e que leva tempo. Para se ter ideia, apesar de sabermos que a tuberculose é causada por uma bactéria desde 1882, foi só em 2004 que os cientistas concluíram que o patógeno podia ser transmitido pelo ar e, em 2014 que através do hálito dos infectados também.

No caso do Sars-CoV-19, já foi determinado que ele é capaz de sobreviver no ambiente e permanecer em suspensão em aerossóis. Com relação à infecção, embora os cientistas não tenham demonstrado ainda que ela pode se dar através de microgotículas inaladas por humanos, sabe-se que alguns animais se contaminaram dessa forma. E se for comprovado que o vírus pode nos infectar por esse meio, seremos forçados a repensar as atuais medidas de proteção e desenvolver sistemas de ventilação e filtragem mais eficazes para ambientes fechados, especialmente edifícios públicos, espaços comerciais e meios de transporte que concentrem pessoas.